Nos últimos anos, particularmente desde meados dos anos 2000, os hospitais privados de São Paulo, que são referência em medicina no país, passaram a registrar expansão na demanda por exames e cirurgias de um público novo: turistas de outros países.
O Hospital Israelita Albert Einstein atendeu 3,5 mil pacientes de outras cidades ou países no ano de 2008 - foram 3,1 mil pessoas no ano anterior, segundo Alex Lifschitz, diretor da Sphera Internacional, empresa especializada na prestação de serviços na área de saúde. O Hospital Sírio-Libanês teve a maior alta: passou de 1 mil atendimentos em 2007 para 1,5 mil em 2008, relata a Sphera, que oferece pacotes para atendimento hospitalar para turistas estrangeiros.
Especialistas da área acreditam que ainda há muito espaço para ampliar esse segmento de negócios de saúde. Principalmente a partir da divulgação do alto nível dos serviços prestados nessa área na cidade. "A atuação no segmento hospitalar ainda é muito discreta em São Paulo. Não há uma divulgação consistente no exterior, nem da iniciativa privada e nem dos governos locais. Mas a expectativa é que, com a Copa do Mundo, isso mude", diz Mario Beni, membro da Organização Mundial de Turismo e criador do curso de Turismo na USP.
De acordo com pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), os estrangeiros foram responsáveis por 3% dos 457 mil procedimentos estéticos realizados em hospitais e clínicas nacionais de setembro de 2007 a agosto de 2008. Há cinco anos, esse percentual não passava de 1%. Estima-se que boa parte desse número esteja concentrada em São Paulo. "A cidade é responsável por 80% a 90% do total de intervenções envolvendo turistas estrangeiros no país", afirma Lifschitz.
Na avaliação dos especialistas, a tendência é que esse serviço ganhe notoriedade, e acabe sendo utilizado durante a estada de turistas com a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Com isso, deve aumentar a percepção positiva em relação à qualidade da indústria médica privada.
Alguns fatores explicam a perspectiva animadora em relação ao segmento. Um procedimento cirúrgico no Brasil pode custar até 70% menos que um similar realizado nos Estados Unidos, segundo informam as associações do setor. Além disso, cresce a parceria entre hospitais da cidade de São Paulo e grupos médicos internacionais. Em 2006, o Sírio Libanês, por exemplo, tinha convênio com apenas quatro operadoras de planos de saúde internacionais. Atualmente, esse número ultrapassa 40 empresas.
Já existe, inclusive, um consenso no mercado de que este é o momento de os hospitais de médio porte explorarem o segmento de turismo hospitalar como uma nova fonte de receita. "Isso já está acontecendo. Os hospitais menores têm me procurado para entender melhor esse mercado. Eles não querem depender apenas da receita com planos de saúde para crescer" , afirma Lifschitz. Pesquisa da SP Turis realizada junto aos hotéis que fazem parte do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil, mostra que, entre os 18% de visitantes hospedados na cidade por razões de saúde em 2008, mais de metade foram fazer alguma consulta médica ou cirurgia. A área de estética e beleza atraiu 19% dos viajantes. |